quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Igreja em cisma

Esta assinatura é do pároco de Balasar que enviou o relatório sobre a aparição da Santa Cruz de terra para Braga datado do mesmo mês de Agosto de 1832. No ano seguinte, não sabemos porquê, deixou de paroquiar a freguesia e sucedeu-lhe o P.e Manuel José Gonçalves da Silva. Como o pároco de Touguinhó, também este foi expulso de 1834 a 1841.
A desorientação que se viveu nas fileiras da Igreja foi ao ponto de esta viver em cisma durante um década, com bispos não reconhecidos pela Santa Sé.
Um importante documento da Santa Cruz tem a assinatura dum sacerdote que era irmão dum padre cismático.

Custódio José da Costa I

Custódio José da Costa, o balasarense de Lousadelo que pôs os seus haveres ao serviço da dignificação da Santa Cruz, fez-se representar neste quadro a óleo que se conserva na Capela.
Foi um homem providencial. Como leigo, a onda das expulsões dos párocos não o atingia e por isso pôde prosseguir a obra de dar dignidade à nova e surpreendente devoção.

Custódio José da Costa II

A legenda ao fundo do quadro contém estes dizeres:

Milagre que fez a Santa Cruz de Balasar, aparecida a 21 de Junho de 1832 a Custódio José da Costa, que, sendo o principal fundador desta capela, trabalhou cinco anos com o seu corpo e abonos de dinheiro, prometendo à mesma Santa Cruz que, se lhe permitisse estas obras sem perigos nem assaltos de ladrões, nela colocaria um painel com o retrato da sua efígie com a cruz na mão, e assim o concedeu a mesma Santa Cruz, e pede de mercê a todos que este lerem um Pai-nosso e uma Ave-Maria por minha intenção e por todos os benfeitores que ajudaram estas obras, aplicados pelas almas de seus pais e por todas as do Purgatório.

Custódio José da costa III

Na imagem, texto autógrafo de Custódio José da Costa.
O P.e Leopoldino Mateus escreveu sobre ele:

Este homem de bem e fervoroso católico nasceu em Balasar no ano de 1788. Filho de pais humildes, mas laboriosos, resolveu deixar o torrão natal e embarcar para o Brasil, como efectivamente fez, em 1803, para tentar fortuna. Ali, depois de uma luta de porfiados trabalhos, tendo adquirido uma fortuna razoável, resolveu regressar à sua terra, o que fez antes do aparecimento da Santa Cruz.
Custódio José da Costa, cuja efígie se conserva num quadro a óleo, na pequena capela, sendo testemunha da assombrosa aparição que emocionou não só o povo de Balasar mas também os crentes das vizinhas freguesias, que acorriam em grande número a visitar e rezar à Santa Cruz de Jesus Cristo, resolveu empreender a erecção de uma capela onde houvesse mais respeito e devoção pelo símbolo da Redenção.

Interior da Capela da Santa Cruz

O gradeamento em madeira delimita os contornos da cruz original. A terra, essa não é de origem, já que os devotos que visitam o lugar teimam em levar pequenas porções dela, obrigando os zeladores a trazer terra de outra procedência.

Nossa Senhora das Dores

A Cruz que se vê sobre o altar tem uma pintura muito apagada do Crucificado; ao fundo, ainda é bastante visível a representação de Nossa Senhora das Dores

O Registo

A esta estampa chamava-se Registo. Verosimilmente ainda virá do tempo de Custódio José da Costa. Veja-se a legenda:
“Nosso Senhor da Cruz aparecida no monte Calvário da freguesia de Balasar, a 22 de Junho de 1832.
O nosso Ex.mo Prelado concedeu 40 dias de indulgências a todas as pessoas que rezarem de joelhos um Pai-nosso e uma Ave-Maria diante desta estampa pela extirpação das heresias, concórdia entre os Príncipes Cristãos e exaltação da S.ta Madre Igreja Católica”.